Até aqui...
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| Esta decidi chamar de "Curta" |
O fim de mais um ano... Na minha carreira, até agora, este é o vigésimo segundo. A cada um que se encerra, estou diferente. Muitas experiências ao longo de trezentos e sessenta e cinco dias. Desta vez, não foi diferente.
No começo de dois mil e dez eu estava às voltas com o fim da faculdade, preparando a monografia, que seria defendida em julho. Fazendo a coleta de dados, analisando dados, escrevendo tudo. Fiquei aflita, pensei que não daria certo, que não daria tempo... Muita insegurança. Mas fui fazendo o que deveria fazer. No fim das contas, deu tudo certo! A defesa em julho foi maravilhosa, as coisas foram saindo da minha boca como água numa caudalosa cachoeira. Eu sentia que eu estava mesmo com muita vontade de colocar pra fora tudo aquilo que havia descoberto e construído, uma sensação maravilhosa, que eu nunca havia experimentado antes.
E o que fazer com quatro anos de estudo? Trabalhar, oras! É uma seqüência bem óbvia... E eu estava precisando mesmo que isso acontecesse. Quando fui universitária, era bolsista, portanto, não era necessário um emprego formal. Era paga para estudar. Mas depois que os estudos encerraram, seria necessário uma renda para ajudar nas despesas da casa. Só a aposentadoria da minha mãe não é suficiente para cobrir nossos gastos. Quinze dias depois de ter defendido a monografia, estava empregada.
Me formei em Pedagogia e estava trabalhando numa escola pequena aqui da cidade, como professora de Matemática do segundo ao quinto ano (antiga primeira a quarta série). É bom trabalhar como professora. Porém, também é muito desgastante, você não tem o reconhecimento profissional e financeiro desejados... Estar com as crianças, propor momentos de aprendizagem interessantes, ser cuidadosa, paciente. Tudo isso eu consegui, à medida do possível. Não tenho do que me queixar das exigências do trabalho. Porém, fiquei na escola durante quatro meses e não recebi sequer um salário por mês de trabalho. Recebi apenas uma vez, durante os quatro meses, uma quantia inferior a trezentos reais. Isso foi me magoando, me desgastando. Eu já não agüentava mais ir trabalhar sem receber, olhar para a diretora da escola, que é uma criatura super intransigente que adora causar conflitos. Além disso, as condições físicas da escola eram péssimas. Não havia divisões entre as salas, não havia corredores, as salas ficavam meio que “misturadas”, o barulho atrapalhava as aulas. As telhas de brasilite faziam com que determinada hora do dia, o calor fosse insuportável, não havia ventiladores nas salas, não havia sequer instalação elétrica funcionando nas salas de aula.
Esperei até o último dia de novembro, mas não recebi um centavo. Motivada por tudo isso que mencionei e por outros detalhes, decidi que não mais iria trabalhar em dezembro. E não fui. Uma semana depois, a diretora – e dona – da escola, me mandou um mês dos que me devia e ficamos assim..
Ao mesmo tempo em que comecei a trabalhar, iniciei um relacionamento amoroso. O meu primeiro mais estável, digamos. Percebi que muito do que a gente tem expectativa em relação a um companheiro às vezes não está presente em quem a gente encontra... O que sinto desta vez é tão diferente do que eu já chamei de "paixão" que fiquei com medo. E fico me perguntando: que terá acontecido dentro de mim? Está mais tranquilo o sentimento, que antes era algo como "ou tenho ou morro". Talvez eu não sinta tanta necessiade de "ter", desta vez... Acho que a busca é outra. Ainda não descobri qual é.
“Muitas emoções”, como se diz. E vem mais por aí... Pra citar de novo, “a vida não para”.







