Marilou e o contraditório

"Seres que me habitam"
Cobras. Ursos. Fadas e bruxas. Flores. Cores variadas. Algumas das imagens que compõem o universo com o qual me identifico. Um olhar interrogativo ou um olhar de fera. Vestido voando no vento. Odores perfumosos. Odores de carne viva ou cheiro de mangue fértil. E mais...
Não há como compor um limiar. Eu me sinto tão plural como... O infinito. Como as sensações estranhas ao ouvir um bom jazz. E cada vez que se ouve, novas sensações brotam. É um mistério.
Quanto mais tento explicar o que sou, mais me perco em algo que parece não ter sentido. E acabo de pensar, então: eu tenho sentido?
No limite, me vejo como algo que não tem explicação alguma, assim como quando penso na vida. Que seria a vida, temos como explicá-la, pormenorizá-la em alguma verdade? Apenas os que são donos de alguma – eu não me sinto dona nem de mim!
Eu não sou, então, uma verdade. Tampouco sou uma mentira. Então, não posso ser classificada através de palavras. Não sou mulher, não sou homem, não sou humana. A palavra que mais se aproxima sobre o que (não) penso é absurdo.
Pois que seja. Eu sou mais um absurdo que vaga sem explicação pelo universo. Um espanto diante do espelho, pois me olho e vejo feras e fadas. Como pode assim o contraditório habitar com tanta veemência uma criatura?

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